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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Vamos proibir a violência!

Acompanhei a segunda luta de Chris Weidman e Anderson Silva com certa expectativa, e não tenho problema nenhum em falar que torcia pelo americano, tenho minhas razões para isso e elas pouco importam aqui neste momento.
O importante neste texto é o que pensei após a luta se encerrar. Logo depois da luta, lembrei que já tinha escutado e lido por ai que queriam proibir o Mixed Martial Arts (MMA), mas não lembrava como estava esta questão, mas pensei que esta ideia de proibir o esporte voltaria a pauta. E não demorou muito para chegar a notícia que iria confirmar o que havia lembrado e pensado.
Nesta notícia é lembrado que o projeto de Lei (PL) 5534/2009, do deputado federal José Mentor, PT-SP, encontra-se na Comissão de Ciência e Tecnologia do Congresso. Mas o que se pretende com esse projeto de Lei? É simples, como está no PL, a proposta é "Veda a transmissão de lutas marciais pelas emissoras de televisão na forma que especifica e dá outras providências.". Mas vamos falar a verdade e em um português claro, o Dep. José Mentor, com sua boa intenção, pretende proibir a exibição das lutas de MMA, seja em transmissões de TV aberta ou fechada, ou seja, TV por assinatura. E essa tentativa de proibir a exibição do MMA tem nome, se chama Censura! Falarei disso mais a frente... Primeiro vou abordar um pouco a questão do Ultimate Fighting Championship (UFC).

O MMA é violento?
Outro dia tive a chance de ver uma das primeiras edições do UFC, e se não me engano era a sétima edição. Eram lutas em sequência, sem limite de tempo e, quase que literalmente, um vale tudo. Quem conhece a história sabe o quanto o esporte evoluiu e como melhorou as condições para atletas e organizadores. Mas chega um deputado, que provavelmente não entende de nada, e deseja simplesmente proibir a exibição do esporte profissional, acabando com a maior fonte de renda da organização do evento. Ele não deve imaginar quantos jovens estão se dedicando a treinos para se tornarem lutadores profissionais. Também não deve imaginar quantos empregos são gerados direta ou indiretamente a cada evento desse tipo. O importante para o Dep. José Mentor é que:
MMA não é esporte. Esporte é a superação do limite da pessoa humana, respeitada a integridade física. E não é arte macial (sic) coisa nenhuma. Arte marcial tem filosofia. MMA é agressão.
Então está é a visão dele sobre arte marcial, tem que haver uma filosofia. Não sei se o Dep. José Mentor se lembra, mas não faz muito tempo que existiam pessoas que praticavam Jiu-Jitsu e andavam por ai com cachorros da raça Pitbull e/ou em grupos, e estas pessoas adoravam arrumar confusão para que pudessem brigar e "praticar um pouco", e caso o Dep. José Mentor quiser se inteirar um pouco sobre o assunto, pode procurar pelo nome que estas pessoas eram chamadas, "Pitboys".
Porém, só tinha um problema com a conduta destes "Pitboys", não existe nada na filosofia do Jiu-Jitsu que justificasse tal comportamento, o que criava um conflito entre os mestres e os alunos indisciplinados. Muitos desses maus alunos, que não compreendiam tal filosofia, acabavam expulsos de suas academias, mas em nada mudavam sua atitude de buscar as brigas, na verdade em muitos casos a pratica do esporte era só uma desculpa para se prepararem para as brigas. E um dos efeitos colaterais deste comportamento foi de que os cães da raça Pitbull foram identificados como violentos e agressivos, e parte do problema de conduta de seus donos, lembro que alguns especialistas chegaram até a propor a extinção da raça, o que ocorreu em outras oportunidades por outros fatores.
Não me espantaria saber que alguém naquela época se pensou em proibir o Jiu-Jitsu devido a inconsequência de algumas pessoas que não possuíam discernimento sobre as consequências de seus atos, ou sabiam e não ligavam a mínima para eles. Então seria mais fácil proibir um esporte à punir os criminosos, pois o que estas pessoas praticavam era crime e com motivos banais. Mas felizmente o esporte conseguiu se livrar da maioria destes seres e continuou a existir.
Outro ponto é que o MMA para o UFC é um esporte profissional. Onde os lutadores são profissionais e devem compreender os riscos a que estão expostos ao lutarem. Lembrando que os lutadores sobem ao octógono por motivos que só cabem a eles saberem, não importando a ninguém se for apenas uma questão financeira, pois cada uma sabe, ou pelo menos deveria saber, o que faz da própria vida. Mas voltando a questão dos riscos... Não só os lutadores profissionais, mas todos os praticantes de esporte deveriam saber a que riscos estão expostos.
No caso dos lutadores é uma questão profissional, e aqui cabe uma observação profissional minha como engenheiro de segurança do trabalho, ao tomarem conhecimento dos riscos e ao assumirem a responsabilidade, os lutadores reconhecem que são passíveis de lesões, lembrando que o objetivo não é provocar lesões, leves ou graves, ou matar o adversário, mas acidentes podem acontecer, ainda mais quando o esporte envolve contato físico de forma tão direta. E sim, acidentes acontecem!
O caso do Anderson Silva foi um desses acidentes. O Chris Weidman declarou após a luta que havia se preparado para se defender dos chutes do Anderson, e aqui podemos perceber que existe toda uma preparação técnica dos atletas para lutarem, não é só chegar lá e agredir o adversário, como deve imaginar o Dep. José Mentor, e tal pensamento foi reproduzido na reportagem da Folha e coloco abaixo.
Você tem de ser solidário a uma pessoa que se machucou. Mas não é acidente. O objetivo do MMA é ser agressivo. Aquele pontapé faz parte da regra. É normal.
Outra coisa, o lutador americano também revelou uma possível lesão no menisco, ou seja, no joelho, só não falou se a lesão foi antes ou durante a luta. Então o argumento de ser solidário com alguém machucado só vale para o perdedor? Quantos lutadores acabam vencendo suas lutas e com um lesão? Lembro da luta entre o Jon Jones e Chael Sonnen, onde o primeiro venceu a luta, mesmo tendo quebrado o dedo do pé.
E lembrando de outras lutas, poderia perguntar se o José Aldo é mal ou agressivo em excesso com os adversários? Lembro da luta dele com o Urijah Faber, onde ele "acabou" com a perna do adversário com muitos chutes. E agora Dep. José Mentor, será que José Aldo deveria ter ido para a cadeia por ter agredido seu adversário?
Sim, existem regras e muitas situações estão previstas nestas regras, mas o Dep. José Mentor não deve ligar para isso, pois a opinião dele, como legislador e cheio de boas intenções, deve prevalecer sobre a vontade das pessoas que querem assistir as lutas. Existem pessoas como o Dep. que acham que o MMA é violento, mas isso não justifica o que foi proposto, pois cada um assiste o que quer. Estas pessoas que acham que o MMA não é esporte não são obrigadas a assistirem as lutas, elas podem buscar outro canal que esteja passando algo da preferência delas. Mas negar o direito de milhares, milhões de pessoas assistirem a luta é censura! E usar qualquer argumento maquiado com boa intenção é jogar sujo, pois qualquer coisa poderá ser censurada com pseudo-argumentos chulos.

Vamos proibir a violência!
Devem existir muitas pessoas como o Dep. José Mentor, uma delas é o Sr. Laurez Cerqueira, que escreveu o texto intitulado "UFC é rinha humana", cheios de pseudo-argumentos, mas que foram totalmente desconstruídos pelo Luciano Henrique em seu sítio. Como o Luciano já fez um ótimo trabalho, vou me dedicar ao título desta parte do texto e esquecer as bobagens ditas pelo Sr. Cerqueira.
Quantas notícias você já leu sobre a tentativa de acusar pessoas que pegam armas e atiram a esmo serem influenciadas por jogos de videogame? Lembro que basta ter um caso que é questão de tempo até acharem um videogame e jogos violentos para serem acusados de serem os geradores de todo mal causado. Só se esquecem que para se ter uma arma de modo oficial neste país é quase que impossível, mas você não verá muitos debates sobre está questão, pois o culpado nestes casos são os jogos violentos.
Mas a violência é natural do ser humano ou é gerada? Ela pode ser reprimida ou controlada? O Luciano falou um pouco sobre tais questionamentos em seu texto. Mas lembro da campanha "Conte até 10" do governo. Está campanha tinha como objetivo diminuir crimes cometidos por impulso.
Cartaz da campanha "Conte até 10" que pretendia diminuir crimes cometidos por impulso.
Fonte: Divulgação/Governo Federal.
Será que a campanha atingiu seu objetivo? Quantos crimes foram evitados quando a pessoa contou até 10 para diminuir a sua agressividade e desistir de ser violenta? Quanto dinheiro foi gasto nesta campanha? Pelo menos os atletas não quiseram o cachê, emprestando suas imagens com boa intenção, acho que os únicos que tiveram realmente alguma boa intenção legítima.
Mas talvez fosse melhor proibir as pessoas de serem violentas, que tal? Mas calma, será que o Código Penal já não serve para este propósito? Aquelas possíveis punições de cadeia devem ser muito severas ao ponto de intimidar as pessoas para que estas pensem duas vezes antes de cometerem algum crime né? ... Não, na verdade não! Cansei de ver entrevistas com bandidos que assumiam que cometiam crimes violentos e que não tinham medo das punições, por saberem que o sistema judiciário e prisional são falhos. Além do fato de terem os defensores dos direitos humanos ao lado deles. Que por sinal tem uma nova tática para ajudar os criminosos. A nova tática é acusar as vítimas de algum crime. Já vi bandido que teve o assalto frustado e levou uma surra acusando suas vítimas de lesão corporal. Outro dia um bandido, que foi pego com uma pequena quantidade de maconha após assaltar um jovem, falou que a droga não era dele, mas de sua vítima, querendo dar a entender que o rapaz vítima do assalto era traficante. Na mesma reportagem o policial que foi entrevistado falou que está cada vez mais normal esse tipo de coisa. Ou seja, de criminosos passam a vítimas e buscam se livrar ou levar suas reais vítimas para a cadeia.
E não pense que a proibição seja uma ideia ruim, pois no Brasil muitos políticos acham que se resolve tudo com uma Lei, e de preferência que seja uma proibindo algo! Se esta proibição for sustentada por uma boa intenção, então pode ter certeza que deve ter alguma mente brilhante de algum político da esquerda brasileira que apenas pensa em defender as minorias de algum mal do qual estas nem imaginam que lhes afligem. Também não pense que o povo se opõe a este tipo de coisa, porque a maioria deve adorar a intervenção estatal, desde que seja na vida dos outros, mas nem reparam como o governo mete a mão em suas vidas sem que percebam o mal causado por atitudes autoritárias como estas, para não dizer que algumas beiram o totalitarismo! Afinal, vivemos em uma democracia né?
Então que se proíba a transmissão de lutas violentas, será pelo bem do povo, não importando a mínima se o povo quer ou não assistir as lutas... E assim, só fico curioso para saber como o governo vai proibir as pessoas de buscarem meios para assistirem as lutas, irão bloquear sítios na internet? Irão proibir a circulação de DVDs piratas contendo as lutas? Prenderão quem assistir as lutas? Qual será o período da punição? Este período aumentará em caso de reincidência? Bem, são só algumas questões que o governo terá que lidar com mais esta proibição que está por vir. Enquanto isso, aproveitem para ver dos lutadores se superando e tendo vitórias incríveis após muitas dificuldades, pois quando a proibição chegar, serão só lembranças!

Gostaria de deixar registrados meus votos de uma rápida recuperação ao Anderson Silva e que ele tome a decisão que achar mais acertada para a própria vida! E que mesmo torcendo para o seu adversário nesta última luta, ele me proporcionou grandes emoções em lutas anteriores, e que isso ninguém poderá apagar ou proibir de lembrar.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Exigimos solidariedade!

Estamos em época de festas, onde muitas famílias gostam de ter a mesa farta para ter momentos agradáveis. Infelizmente não será assim para muitas famílias devido as tragédias causadas pelas chuvas. Mas existem outras famílias que são assoladas por uma questão o ano inteiro, que famílias são essas? São as famílias pobres e miseráveis.
Várias pessoas prestam caridade o ano inteiro, outras só nessa época, seja por não terem condições ou seja pela culpa de verem pessoas necessitadas. Porém, neste ato voluntário de ajudar o motivo pouco importa, para os necessitados o mais importante é que sejam ajudados.
Mas sempre tem aquelas pessoas que não esperam que as pessoas façam atos de caridade de forma voluntárias, estas se juntam para exigir a solidariedade das pessoas. E vejamos o que aconteceu em um hipermercado de Belo Horizonte em 23 de dezembro.
Exigimos solidariedade!
Foto: Túlio Santos/EM/DA Press
Um grupo de cerca 150 manifestantes, formado por homens, mulheres e crianças, alguns com camisas do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), invadiram um hipermercado Extra no bairro Santa Efigênia, região leste de Belo Horizonte, exigindo 300 cestas básicas. O grupo afirmava que só sairia do local após receber os alimentos. Com isso, a Polícia Militar (PM) foi acionada e compareceu ao local para acompanhar a ação dos manifestantes e evitar tumultos e saques.
A direção do hipermercado tentou negociar com os líderes dos manifestantes oferecendo 100 cestas básicas e ajuda às famílias que se cadastrassem no programa assistencial da rede. Esta oferta foi recusada e após nova negociação ficou acordado que o hipermercado doaria 150 unidades de cestas básicas às 11 h de terça-feira. Assim, os manifestantes saíram pacificamente do estabelecimento.
Leonardo Péricles, um dos organizadores, declarou que os alimentos seriam para garantir um natal sem fome para moradores de algumas ocupações pela cidade, e que a ação fazia parte de um movimento nacional. E podemos ver um pouco mais da proposta do MLB neste vídeo.
Mas como bem definiu o Tenente-Coronel Helbert Figueiró, comandante do 1º Batalhão da PM:
Não há amparo legal para fazer manifestação dentro do supermercado. Essa imposição de 300 cestas é uma extorsão.
E mesmo com o acordo entre manifestantes e a direção do hipermercado, a PM informou que será aberto um inquérito contra os líderes do movimento. Para os que não sabem o que extorsão, reproduzo abaixo o Art. 158 do Código Penal:
Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar fazer alguma coisa:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
Pode-se questionar a existência da violência ou grave ameaça, mas ninguém sabe o que poderia acontecer se a direção do hipermercado não negociasse e/ou se a PM não estivesse presente. O que pode-se imaginar facilmente é como ficaram os clientes ao verem um grupo de 150 pessoas, mesmo formado por homens, mulheres e crianças, gritando palavras de ordem, falando sobre religiosidade e caridade em tom de exigência. No mínimo alguns clientes ficaram constrangidos com toda aquela situação né?
E como bem lembra o Rodrigo Constantino em sua coluna:
Ninguém tem “direito” ao que os outros tiveram que trabalhar para produzir. Essa mentalidade socialista afunda qualquer ética do trabalho, fundamental para a prosperidade e responsabilidade individual. É um absurdo alguém pensar que seus desejos e anseios são suficientes para obrigar os demais a labutar como escravos para atendê-los. (Grifos do autor)
Então, se tais pessoas trabalhadoras e pobres não conseguem ter renda para adquirir os alimentos, não é cometendo crimes que irão resolver a questão da fome. Pelo contrário, acabam por conseguir mais problemas, dessa vez judiciais. Poderiam fazer campanha solicitando doações voluntárias de alimentos, mas nunca invadir um estabelecimento e exigi-los na base da coação. Ou alguém acha que o Extra fez a doação por caridade? Outro ponto importante neste episódio é que no vídeo se fala em lucro, mas se esquecem que parte do dinheiro que as empresas conseguem volta na forma de investimentos para a ampliação do negócio e de forma direta com mais empregos, e de forma indireta em consumo daqueles que ganham parte do tal lucro. Se essas pessoas pobres não conseguem reverter o lucro destas pessoas em renda para elas, é porque não estão na cadeia produtiva. E nisso eu pergunto, o que essas pessoas produzem para obter uma remuneração? Elas permanecem sentadas esperando que as coisas caírem do céu ou que o governo as ajudem ou buscam um emprego, buscam se qualificar para obter um emprego melhor ou qualquer medida com que possam melhorar de vida por conta própria?

Cesta básica x Impostos
Para quem tem uma boa memória, deve lembrar que a presidente Dilma, PT, vetou em setembro de 2012 a desoneração de itens da cesta básica, medida que foi incluída em uma Medida Provisória (MP) da época. Membros do PSDB alegaram que foi uma tentativa de negar a paternidade da medida a oposição e atacaram o veto da presidente, bem como a postura do governo. O governo alegou problemas com a forma que a medida seria tomada, que através de Dyogo Henrique de Oliveira, secretário-executivo adjunto do Ministério da Fazenda, disse que a lei obriga que os produtos a serem desonerados devem ser explicitados. Outro ponto levantado pelo governo era sobre a prerrogativa de convocar uma comissão interministerial, que constava no texto da MP, sendo que o Poder Legislativo não poderia tomar tal medida, só cabendo ao próprio governo fazer isso.
Mas em março deste ano alguns itens da cesta básica e outros itens que foram incluídos, que ainda tinham tributação do Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), todos federais, tiveram a isenção destes impostos. Mas como afirma o economista Roberval Ramirez:
Nós sabemos que existe dentro dessa cesta básica uma carga de impostos estaduais e municipais, que pesam até mais do que o governo está tirando.
Assim, a diminuição da carga tributária federal acaba não tendo muito efeito no todo. E não podemos esquecer que existem outras questões além dos impostos, abordarei duas delas, fazendo breves comentários a seguir.

Produção de alimentos: Agronegócio x Agricultura familiar
Um dos fatores primordiais para a produção de alimentos é a escala com que tais alimentos são produzidos. Não pretendo me alongar neste as aspecto, pois é provável que faça um texto sobre este tema, incluindo a questão da reforma agrária.
A produção de alguns alimentos só é rentável se realizada em larga escala, ou seja, através do agronegócio, tal atividade tão demonizada por alguns setores da sociedade e pessoas. Não há como se produzir alimento em quantidade suficiente para uma população com a agricultura familiar. Sendo a agricultura familiar uma atividade diferente da agricultura de subsistência, e esta também visa o lucro ao contrário do objetivo da segunda que tem por finalidade principal a sobrevivência do agricultor e de sua família.. Ou acham que ninguém deseja obter uma remuneração pelo trabalho realizado?

Livre mercado
Como no comentário acima, não vou me alongar, pois também farei um texto só com este tema, aqui deixo uma série de breves questionamentos e comentários rápidos.
Quem ainda se lembra do episódio do tomate? Sabem quando é período de safra e entressafra? Repararam que com a elevação do preço só algumas pessoas continuaram consumindo? Conseguem fazer a ligação entre a oferta e a demanda? Se acompanharem as notícias vão notar que o preço do tomate está novamente variando por uma série de fatores. E estes são só alguns aspectos do mercado, relacionados em perguntas, que se você não conhece nada sobre dificulta todo o entendimento do livre mercado, pois só nestas perguntas existem uma série de conceitos necessários para se saber como funciona uma economia.
Assim, é muito fácil falar que empresas e pessoas desejam lucro, mas não entendendo nada como funciona a economia não é possível se argumentar de forma válida sobre o tema.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Topless e a liberdade individual

Mais um 21 de dezembro, dia em que se iniciou mais um verão... E se não fosse o evento marcado para a praia de Ipanema, teria sido o 1º dia do verão e só mais um dia normal.
Mas que evento foi esse? Foi o Toplessaço, evento marcado pelo Facebook, que contava com cerca de 9 mil confirmações de comparecimento. Porém, não chegou a mais do que algumas poucas dezenas de pessoas, incluindo homens que aderiram a proposta, atraindo mais curiosos do que manifestantes.
Homens que aderiram ao Toplessaço.
Foto: Tasso Marcelo/AFP
Mas que proposta era essa? Na descrição da página no Facebook constava a seguinte descrição:
"Rio de Janeiro, Brasil
Só em uma cidade machista e violenta como a que vivemos o topless pode ser caso de polícia!
Pelo fim da criminalização dos nossos corpos, das formas femininas.
O atentado ao pudor nas praias, são muitos outros. Pela naturalização dos corpos!
Pelo fim da repressão policial e governamental dos nossos corpos...
Vamos tirar o biquini!!"
Segundo algumas das reportagens que li, a motivação para o protesto foi a repressão policial sofrida pela atriz Cristina Flores, que em novembro posava sem blusa para fotos para posterior divulgação da peça "Cosmocartas", que seria presa e autuada por "ato obsceno", caso não vestisse a blusa. Em outra reportagem a origem do toplessaço teria ligação a "Marcha das Vadias", ocorrida em julho, onde Ana Rios e Bruna Oliveira, perceberam que pessoas falavam coisas horríveis e reagiam de forma violenta ao presenciarem mulheres fazendo topless em tal evento.
Resumindo, a ideia original do protesto era a de reivindicar o direito para as mulheres poderem fazer topless sem serem incomodadas, seja pela polícia devido a questão do atentado ao pudor ou pelo machismo das pessoas que presenciam tal ato.

Repercussão e opiniões 
Como foi reportado por vários meios, o Toplessaço juntou mais curiosos do que manifestantes. Bastava uma manifestante chegar e tirar a blusa que uma pequena multidão se aglomerava ao redor.
Ana Paula Nogueira e todos de olho no direito ao topless.
Foto: Ariel Subirá/Estadão Conteúdo
Em uma das reportagens consta a opinião de Carolina Jovino, 18 anos, estudante de Ciências Sociais, que escreveu no corpo a palavra liberdade, e declarou o seguinte:
- Não tenho como esconder uma parte do meu corpo. Quero que as pessoas me digam por que o meu peito é mais chamativo do que os outros. Estou me sentindo reprimida. Ninguém anda pela praia perseguida por 50 pessoas.
Não vi fotos da Carolina, mas talvez ela tenha chamado a atenção dos homens pela idade ou pelo corpo que deseja mostrar em público, mas sem que ninguém fique olhando muito para ela ou que a  persigam para dar mais uma espiadinha em seus seios desnudos.
Lembro de quando era criança, e isso faz um certo tempo, ao passear pela praia de Copacabana, ver duas senhoras, já com uma certa idade, fazendo topless. E sabe como é criança né? Olhei e fiquei assustado por ver mulheres desconhecidas de seios de fora em público.
Mas com a idade aquilo não seria tão emblemático, afinal, como carioca, o que mais vejo são corpos femininos com pedaços de pano, que não deveriam ser chamados de roupa, pela rua devido ao calor ou semi-nus, alguns totalmente nus mesmo, no Carnaval.
Vejam bem, não estou falando que as mulheres devem usar burca, ou que deveriam usar roupas maiores do que aqueles shortinhos e tops que as vezes só estão lá para constar que não podem andar nuas pelas ruas. As mulheres tem todo o direito de se vestirem como desejarem, ou no caso do topless não vestirem. Mas reclamar que as pessoas olham para elas, me parece meio contraditório, afinal tem homem que quase quebram o pescoço para dar uma espiadinha nas mulheres que passam por eles, porque não olhariam para os seios delas.
Se quiserem praticas naturalistas, indico a praia de Abricó, reduto de naturistas, fica meio longe e escondido para afastar os curiosos. Lá todos ficam completamente nus, mas vale lembrar que lá existem certas regras de conduta! Ou tirar a parte de baixo do biquini já é demais para algumas dessas mulheres que desejam fazer topless? Será que elas são conservadoras ou caretas demais?

É proibido fazer topless?
Muitas coisas são proibidas neste país e poucos sabem. Inclusive o vereador Elton Babú, PT-RJ, que se surpreendeu ao descobrir, após o episódio com a atriz e antes do evento deste sábado, que a prática do topless não é permitida na cidade maravilhosa e disse o seguinte:
- Nem sabia que o topless era proibido, fiquei sabendo ao ler o jornal, o que me motivou a apresentar este projeto de lei. Não deveria ser proibido.
Então, para resolver este problema legal, decidiu propor a autorização, através de uma Lei, para permitir a prática do topless nas praias da cidade, desde que seja no trecho entre o calçadão e o mar.
Esta deve ser a primeira proposta de Lei que vejo que pretende revogar uma proibição, o mais normal no Brasil é proibir, mesmo que seja uma proibição estúpida e autoritária, com um viés de boas intenções. Voltando a proposta de Lei, vocês entenderam a ideia né? É permitir o topless, mas restrito a praia! Nada de permitir topless no subúrbio, afinal, lá não tem a bela vista do mar né? Assim, mesmo querendo revogar uma proibição, acabasse por restringir a liberdade das mulheres de fazerem o topless onde bem entenderem. Mas vindo de um vereador do PT, isso não me assusta, afinal a esquerda luta pelos direitos das minorias, desde que não atrapalhem a oportunidade de restringir a liberdade das pessoas.
Uma das justificativas para a proposta do vereador Elton Babú é a seguinte:
Se a mulher expõe os seios para amamentar, por que não fazer o mesmo para tomar sol?
Realmente, percebo que muitas mulheres expõe um dos seios para amamentar os filhos em público, sem nenhum constrangimento. Mas já vi algumas mulheres cobrirem o colo e o filho com um pano na hora de amamentar. Será que estas mulheres preferem preservar sua intimidade ou seriam conservadoras demais ao se cobrirem no ato da amamentação? Será que estas mulheres são contra as mulheres de se exibirem? E se forem contra, não estariam no seu direito de liberdade de expressão e não concordarem com tal ato?
E questionado se o prefeito Eduardo Paes vetaria a Lei, o vereador Elton Babú diz que não acredita nesta possibilidade, dizendo o seguinte:
- Eu acho que ele aprova, pois vai ter o bom senso de entender que o "topless" não é nenhum ato explícito de sexo, nenhuma afronta.
Realmente, mostrar os seios não é um ato explicito de sexo. Mas eu posso andar totalmente pelado pela rua? Eu não vejo problema nenhum em tal ato, pois não é um ato explicito de sexo. E como algumas outras pessoas também não veem problema e desejam essa liberdade de ficarem nus em público. Ou ficar peladão seria liberdade demais? Mas nem entre os praticantes do naturismo isso é consenso. Alguns acham que tem o direito de ficarem nus em qualquer lugar, outros já acham que só podem ficar nus em locais determinados e sinalizados.

Mas de quem é a culpa? Será que o Rio ficou careta?
Algumas pessoas acham que a causa seja válida e tentam argumentar, como é o caso de Denise Limpias.
- Essa causa é justa. Acredito que esteja atrasado, porque no Rio tudo atrasa - justifica Denise - O Brasil é a terra do peito e da bunda. A gente vê meninas sem calcinha dançando funk. Então, por que não podemos mostrar o peito na praia? - indaga.
Sei lá, respeito a opinião da Denise, mas não vejo muita lógica na argumentação não. De repente eu sou conservador demais para entender o que ela quis dizer com isso ai.
Mas então, o que fazer? Libera o topless? Se sim, libera com ou sem restrições de locais? Creio que a cidade seja para todos, e deve haver um entendimento, pelo menos por enquanto, pois liberar tudo em qualquer lugar ainda não é possível, pois o povo não está tão preparado para ter tanta liberdade, talvez um dia cheguemos a este nível onde todos irão se entender e não haverá brigas. Mas temo estarmos longe e se afastando desse entendimento, ainda mais com a esquerda agindo da forma que age, sequestrando temas liberais/libertários, como a liberdade individual, e a usando para criar conflito entre as pessoas. Ou seja, o que a esquerda menos deseja é o entendimento entre as partes, pois se este ocorrer, acaba a minoria que eles tanto desejam proteger. Por isso que fazem essa guerra utilizando o feminismo* e as feministas*, para gerar discordância sem debate, e em alguns casos a imposição de opiniões sobre terceiros. O que falariam as feministas sobre uma mulher que discorde da prática do topless? As feministas buscariam meios de desqualificar a opinião das que discordam? Falariam que por, possivelmente, serem religiosas estas são influenciadas e não deveriam ser ouvidas? Ou todo cidadão tem direito de se expressar?
Só sei que no fim, muitas podem comemorar a aprovação da Lei proposta pelo vereador Elton Babú, como sendo uma conquista, sem perceber que esta foi uma autorização de liberdade restrita. Sem notarem que continuam dependendo de uma autorização do Estado para fazerem o que quiserem. Sem compreender o que é a verdadeira liberdade individual, e que mesmo que tenhamos certos desejos, devemos buscar respeitar o próximo e entender que nem sempre é conveniente fazermos o que queremos.

* - Estes são outros termos que não gosto e evito utilizar, pois como já falei, todos os seres humanos são iguais, independente do sexo. E questões sobre machismo/feminismo muitas vezes envolvem conceitos e entendimentos culturais diferentes. Talvez quando abordar o feminismo em um texto próprio seja mais fácil de explicar minhas ideias sobre este tema.